O Interior do Salão
Ao atravessar a entrada principal, o visitante do salão encontrava um amplo ambiente de pé-direito alto, iluminado por janelas voltadas para o rio. O piso em mosaico de pedra portuguesa, disposto em faixas geométricas, conduzia o olhar até o fundo do salão, onde se erguiam colunas revestidas de azulejo até a altura do teto.
As colunas, elemento mais fotografado do interior nos registros que sobreviveram, combinavam estrutura de alvenaria com revestimento cerâmico aplicado em faixas alternadas de azul e ocre. Esse detalhe construtivo aparece em relatos de arquitetos pernambucanos como exemplo de adaptação regional de modelos decorativos europeus.
O teto, sustentado por vigas de madeira aparente, recebia pintura em tom claro para refletir a luz das lamparinas e, posteriormente, da iluminação elétrica instalada no início dos anos 1940. Relatos de frequentadores descrevem o ambiente como fresco mesmo nas tardes mais quentes, graças à ventilação cruzada proporcionada pelas grandes janelas.
O mobiliário do salão era simples quando comparado à riqueza dos revestimentos: mesas de madeira maciça e cadeiras de palhinha, dispostas em arranjos que podiam ser reorganizados conforme o evento. Essa flexibilidade permitia que o espaço recebesse tanto encontros familiares quanto celebrações maiores do calendário social do centro histórico do Recife.
Um detalhe recorrente nos depoimentos reunidos pela curadoria é a presença de um painel de azulejos maior, instalado na parede voltada para a entrada, retratando motivos florais em azul-cobalto. Esse painel é um dos elementos mais estudados hoje por pesquisadores da arquitetura ribeirinha pernambucana.
A vida que se desenrolava nesse ambiente, com suas rotinas noturnas e encontros sociais, é descrita com mais detalhe na página Vida Social no Recife. Para compreender a origem dos azulejos que revestiam as colunas e paredes, consulte A Arte dos Azulejos.