A Arte dos Azulejos
A azulejaria aplicada ao salão à beira-rio seguia tradição trazida de Portugal e adaptada por oficinas pernambucanas ao longo do século XX. Os painéis combinavam o azul característico da louça de Coimbra e do Porto com motivos geométricos produzidos localmente, resultando em composições próprias do litoral de Pernambuco.
Cada painel era montado a partir de peças quadradas de cerâmica esmaltada, geralmente com quinze centímetros de lado, fixadas sobre argamassa de cal. O desenho repetia módulos que, juntos, formavam composições maiores — rosáceas, grades geométricas e faixas decorativas que emolduravam portas e janelas do salão.
No Recife das décadas de 1930 e 1940, pequenas oficinas de cerâmica funcionavam próximas aos bairros portuários, recebendo encomendas de proprietários de edifícios comerciais e de lazer. A mão de obra combinava artesãos locais, muitos deles formados em olarias familiares, com mestres vindos de regiões de tradição ceramista mais antiga.
O azul de cobalto predominava, mas painéis como os do salão também incorporavam tons de ocre e branco-calcário, cores associadas à luz forte do litoral nordestino. Esse contraste cromático, hoje estudado por pesquisadores do patrimônio pernambucano, distinguia a azulejaria do Recife de exemplares semelhantes encontrados em Lisboa ou no Porto.
A técnica de aplicação exigia cuidado especial em edificações próximas à água, como era o caso do salão. A umidade constante do rio Capibaribe tornava os azulejos uma escolha funcional, já que a camada vítrea da cerâmica resistia melhor à maresia do que revestimentos de cal exposta.
Para conhecer dezesseis fatos específicos sobre as oficinas que produziram os painéis do salão, visite a Grade de Azulejos, mosaico interativo que reúne registros reunidos pela curadoria deste museu. Mais exemplos ilustrados de padrões decorativos estão reunidos na Galeria de Ilustrações.